terça-feira, 16 de outubro de 2012

Recomeço




















As finas mãos dos deuses poisaram pesadas
Sobre a minha cabeça.
Não me vieram fadar nem dar poderes especiais.
Cuspiram depois na minha face,
E com a sua saliva sagrada lavaram o medo.
Agora morro e renasço,
E em cada passagem pela minha escuridão,
Realinho o trilho e recomeço.
Alguns conhecem o caminho mas continuam perdidos.
Eu conheço a perdição, mas sigo o meu caminho.

2 comentários:

Armando Almeida disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Armando Almeida disse...

Na minha mesa, escurecida, coberta por um fino manto de vidro
Reflecte-se a minha vida que se anuncia prenhe,
De cada vez que lhe toco, fria e luzente mesa, sinto o cadáver horrendo
Que se não basta a si próprio e que me interpela sem descanso!
Olho, revejo as palavras no ecran do computador,
Que se reflectem na minha mesa e descortino:
“Amor na mesa da autópsia”…
Deito-me, embevecido, no sofá ao lado onde jazem os meus eloquentes cães
Sinto um intenso cheiro a enxofre e então ouço, já depois de encerrar os olhos:
- Peido do sono, peido sem dono…
Que seria do cadáver sem mesa, do amor sem rasgo e sem violência?
Do peido sem dono, sem sono, sem descanso?
Um anafado caso de incompetência que, decerto,
Há muito teria sido banido das minhas meninges!