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quarta-feira, 6 de julho de 2011

A urdidura do sonho

















Sonha
que sonhar é correr
à frente da vida,
ver mais além,
com olhos maravilhados de vidente.

Sonha
e deixa para trás
as conjecturas dos filósofos
para quem tudo é apenas
desejo e dúvida
ou uma busca infinita da Psique.
Freud e Jung não tiveram
ensejo de sonhar
e correram somente atrás da vida.

Sonha
que o sonho não te desilude
nem te atira ao chão,
pairarás em liberdade
sobre o caos e a escuridão.
E se caires dum sonho,
tombarás nas nuvens.

Sonha
que a vida pode não ser
um sonho
mas é a urdidura do sonho
que ilumina a vida
e perdura no teu anoitecer.

sábado, 4 de junho de 2011

Importa celebrar o vazio





















É no teu peito vazio que me recolho.
As tuas mãos vazias preencho-as com as minhas.
No caminho incerto e solitário do teu olhar
encontrarás a companhia dos meus olhos.

E à medida que a dor for escavando
um buraco inútil no teu coração,
semeando o vazio e o silêncio,
virei de seguida enchê-lo
de risos em cascata,
de cânticos alegres
de luzes de todas as estrelas,
murmúrios de luas,
e da alegria dum bater de asas
na frescura das manhãs,
da inconsciência feliz duma bebedeira de medronhos,
de juras de amor.

E enquanto tu aprendes
na lição da partida,
ensinar-te-ei o valor da chegada.
Porque o que importa é celebrar o vazio,
não pelo que se foi,
mas pelo que se pode vir a ser.
E preencher.

Para que dentro do teu vazio
exista um pouco de mim,
um toque,
uma pegada,
uma impressão digital,
um olhar,
um murmúrio,
um desejo.
Um beijo.